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Capítulo 28
Os dias passam. Todos eles iguais, no mesmo silêncio que me permite ouvir o meu coração bater. Sempre pensei que o único motivo de ele funcionar eras tu. Talvez por te amar ele continue nesta luta pela sobrevivência. Talvez. A minha voz parece nunca o deixar entregue a si mesmo. Digo que o amo, porque ele bate por ti! Digo que o amo porque era o que tu me dizias a mim.
“Amo-te.”, dizias tu antes de adormeceres ao meu lado, ao acordar, ao sair da porta, ou simplesmente a furar o silêncio… lembras-te?
Era desta forma que muitas vezes furávamos o silêncio, as conversas, qualquer coisa. Dizíamo-lo a toda a hora... tal como parece que o estás a fazer agora. É incrível! Se fechar os olhos, consigo mesmo ouvir-te.
Desconfio, até hoje, que continuávamos a dizê-lo enquanto dormíamos. Não posso jurar, só acreditar.
“Amo-te... sonhas comigo?”
E eu respondia: “Sim.”
“Vais dormir bem?”
Ao que eu respondia: “Contigo ao meu lado, durmo sempre bem. Amo-te.”
Adormecias em segundos, mas não antes de me dares um “beijinho de boa noite” como gostavas de lhe chamar.
Sinto que sabes que continuo a dizê-lo a toda a hora, em todo lado e não vejo a mínima possibilidade de um dia me cansar de o fazer. Já tu, foste obrigado a emudecer antes de te cansares.
Neste momento é mais doloroso dizê-lo. A saudade do beijo que vinha depois fica nas entrelinhas. Enchíamos o nosso dia a dia, a nossa vida com esta palavra como se se tratasse de uma síndrome. Era compulsivo, um tique, um vício, um gosto, um desejo, uma cura, o respirar de um sentimento. Éramos tu e eu numa só palavra dita vezes sem fim.
“Amo-te.”
Não vou parar de o dizer. Pelo menos até te vencer a ti ou a Deus pelo cansaço, obrigando-vos a dar-me um sinal. Mesmo que seja um sinal vindo de um milagre qualquer que eu não possa desvendar, já não me importo… só quero que me respondas!
“Amas-me?”
Na tua boca soava tão bem! É daquelas coisas que não se explica. Nunca deverias ter sido privado de o dizer, pelo menos antes de mim. Agora digo “Amo-te” e não tenho troco.
Deixaste que esta palavra, este sentimento crescesse dentro de mim sem que restasse espaço para mais nada. Agora, todos os meus sentidos se contorcem de dor, de solidão, de abandono. Consolo-os com o “Amo-te” que escreveste nos bilhetes que ias deixando pela casa. Guardei-os todos. Estou a usá-los como cobaias para lhes reavivar a química emocional.
“Amo-te. E tu, amas-me?”
Antes de teres tempo de me responder, só quero que me pegues ao colo, que me leves para a nossa cama, que me tapes com o edredom e que antes de voltares a sair, me digas que me amas.
Depois, posso descer novamente ao inferno como uma alma penada.
Fim do capítulo 28
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Por Lúcia Julião
Andreia enfrenta o sentimento de perda e revive todos os dias a esperança de voltar atrás. Durante muito tempo, recusa-se a aceitar o que lhe aconteceu e mergulha numa loucura sem retorno.
Um dia, ao deitar-se e adormecer, Andreia consegue voltar à sua vida passada e trazer o seu amor de volta, mas com o passar do tempo deixa de perceber a diferença entre o sonho e a realidade.
A única coisa que ela sabe é que lhe está a ser dada uma última oportunidade de se redimir… o que deixou por dizer deixou muitas feridas por sarar!
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